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Inconstante
平成20年10月18日土曜日 | 23:18

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Ela chegou exausta. Largou a mochila no chão do quarto, ao lado da escrivaninha, ou pelo menos, era ali onde pretendia tê-la jogado, acabou não prestando atenção onde o objeto pesado fora parar. De que isso importava? Jogou-se na cama sem pensar duas vezes, irritada, frustrada, cansada. Queria dormir. Queria chorar. Alguém batia à porta.
   - Filha? Tudo bem?
   - Tudo mãe, me deixa dormir.
   A jovem estava mentindo. Sua mãe sabia. Insistiu:
   - Tá tudo bem mesmo?
   "Uhum".

   A garota era nova, saindo da adolescência, mas jovem demais para ser chamada de adulta. Infantil, gostava de desenho animado, de brincar com os primos mais novos. Havia começado a trabalhar à quatro meses. Não gostava do trabalho. Trabalhava o dia inteiro, fazia faculdade à noite. Uma merda.
   Como era maravilhosa a época da escola. Nada de trabalho, nada de preocupações, estesse, no máximo - imagine só - o vestibular.
   Entrou num curso qualquer só pra não ficar sem estudar. Obviamente não gostou, queria trocar. Sua mãe não entendia. Ninguém entendia. Mas que inferno era esse em que as pessoas lhe dizem uma coisa e dois dias depois mudam de idéia?! Sempre, por toda sua vida, lhe disseram que a escolha da profissão era a mais importante decisão que tomaria. O que escolhesse, seria algo que faria para o resto de sua vida. Isso a assustava. Havia algo que quisesse fazer para o resto da vida? Fantasiava, quando criança, que seria diferente dos adultos chatos, iria trabalhar em algo que realmente gostasse, ao invés de reclamar todas as manhãs por ter que sair da cama, sairia saltitante. Feliz. Pois faria aquilo que mais gostava na vida.
   Ela havia crescido. A fantasia se desfez. Mas ainda era impossível tirá-la da cabeça. O resto da vida. O que ela queria fazer para o resto da vida? Gostava de escrever, de desenhar, de cantar... Mas o resto da vida era um tempo longo demais para que pudesse ter alguma certeza.
   Sua mãe sabia por que ela estava triste, mas parecia achar um motivo idiota. "Começou o curso, agora vai até o fim". O resto da vida. Tinha que ser algo muito bom. Já havia inciado dois cursos, desistiu do primeiro, queria desistir do segundo, não era o que queria para o resto da vida. Sua mãe sabia que ela havia iniciado esse curso só pra não ficar sem estudar - alguém na sua idade sem estudar, só podia ser um idiota - Desse vez ela tem certeza do que quer. Mas sua certeza de nada vale. Ela é inconstante. Mutável. Nômade. Uma cigana dentro de sua própria mente.

O resto da vida.

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炎宮. samiya. tbm conhecida por miya, samy.. 17 y/osagitariana, 24nov. gaúcha, apesar de francesa. jornalismo. curso de japonês. cantora de banheiro. compositora de lua cheia. fotógrafa por hobbie. escritora por natureza. aspie. otaku com orgulho. j-music. comida mexicana. pimenta. aicmofóbica. superdotada. asmática. nerd. nômade. mutável.

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